sábado, 6 de agosto de 2011

Matar, não é a solução

Especialista em saúde pública diz que eutanásia em cães não protege humanos

As evidências científicas que preconizam a eutanásia em cães como forma de proteger os homens da leishmaniose visceral são frágeis e ambíguas, na opinião do médico e especialista em saúde pública tropical Carlos Henrique Nery Costa. De acordo com ele, a estratégia de eliminar cães não tem nenhum impacto sobre a saúde humana.

“Não adianta matar (cães) porque as pessoas não vão ter menos Calazar (leishmaniose) . Até compreendo a “boa intenção” do Ministério da Saúde (MS), mas não é ciência. O volume de contaminações não seria maior sem as eutanásias. Não existe uma única evidência de que tirar a vida de um cachorro protege as pessoas. Não tem nenhuma eficácia”, diz o médico. Até há cinco anos, ele era consultor do próprio MS para o programa de controle de leishmaniose.

Doutor em Saúde Pública Tropical pela Harvard University, ele atualmente é professor da Universidade Federal do Piauí, médico do Governo do Estado do Piauí e Coordenador Executivo da Rede Nordeste de Biotecnologia. Costa foi indicado como referência por vários membros de entidades de proteção animal de Bauru. Ele explica que a ideia da eutanásia começou há mais de seis décadas com um famoso cientista israelense (Adler).

“Ele tratou alguns cães na Palestina com as medicações disponíveis na época e não curou. Concluiu que o melhor jeito de controlar a doença era matar os bichinhos. Logo em seguida, começou o regime comunista na China, onde a situação era deplorável do ponto de vista geral, inclusive de Calazar (leishmaniose) . Decidiram então atacar o Calazar”, informa. Na época, trabalharam em três frentes: trataram em massa as pessoas, mataram cães em algumas áreas e usaram inseticida extensivamente.

O DDT era utilizado nas paredes das casas, informa o médico. O país contava na ocasião com dois tipos de leishmaniose visceral. A zoonótica (que atinge homens e animais – trata-se da encontrada no Brasil) e a antroponótica (só infecta seres humanos). “Quando começaram esse programa quase acabaram com o Calazar, mas principalmente nas áreas de transmissão entre pessoas. O Calazar Zoonótico continua na China. Mas foi concluído que matar cachorro também era eficiente”, acrescenta.

Já no Brasil, a história das eutanásias começa com o cientista Joaquim Eduardo Alencar, no Ceará, explica o médico do Piauí. “Diante da grande quantidade de casos, ele começou a matar cães. Mas tem até um trabalho dele mostrando que nos distritos onde só fez matar cães, a doença continuou igual, até piorou um pouquinho. Mas nos municípios onde ele usou DDT, diminuiu bastante”, destaca.

Do ponto de vista teórico, com base em modelagem matemática, o elo mais frágil da transmissão da doença é o inseto, não o cão (reservatório) , enfatiza. “Porém, os inseticidas atuais, do modo como são utilizados, parece que não são eficientes. O que devemos reavaliar, voltar a estudar é o DDT, que é objeto de muita controvérsia”, conclui.

O Ministério da Saúde não segue as normas internacionais de consulta à comunidade científica, segundo o especialista em saúde pública tropical Carlos Henrique Nery Costa. De acordo com ele, qualquer recomendação concernente à saúde pública deve ter fundamentos científicos, conforme consta no Código Sanitário Internacional.

Para dispor de evidências científicas, o MS deveria encomendar oficialmente um texto de especialistas tanto no assunto quanto em revisão sistemática. “Ele (o especialista) escreve o texto e faz uma avaliação idônea, não enviesada da literatura. Feita a revisão, apresenta a um comitê de pessoas que lida na área e, então, é retirada uma conclusão. Se a medida deve ser tomada ou não”, explica.

Já o que foi feito em outubro do ano passado foi uma revisão bibliográfica, pondera o médico. Na ocasião, foram analisados periódicos científicos de circulação nacional e internacional, sendo que a conclusão reiterou a proibição do tratamento canino no País e a indicação de eutanásia para cães infectados. Segundo o texto elaborado pelo governo federal, os modelos de tratamento propostos atualmente podem levar a uma melhoria transitória do quadro clínico do cão, reduzindo os níveis de parasitas.

“Revisão sistemática é outra coisa. A redação tem uma série de critérios e exigências. Aquilo foi uma revisão bibliográfica que você pode fazer com quem você quiser. Como é comum que os autores tenham uma opinião formada anteriormente, portanto tenham uma afinidade maior com certas referências, a revisão bibliográfica simples não atende às exigências de uma representação idônea do pensamento científico”, finaliza.

A possibilidade de existirem outros transmissores da leishmaniose, além do ‘mosquito palha’, tem sido aventada por alguns especialistas. De acordo com Carlos Henrique Nery Costa, existem alguns estudos que também apontam como vetores um carrapato e outro inseto parecido com o ‘palha’.

“O que é cientificamente estabelecido, acordado, é o ‘mosquito palha’. Mas é possível sim que haja transmissão direta entre cães. Como um cão lambendo o outro, mordendo o outro, tendo relações sexuais. É possível, mas não sabemos a expansão disso. A pergunta que se coloca é a seguinte: de onde vêm os parasitas que infectam os insetos? Nos seres humanos, provavelmente do sangue. Já dos cães não temos certeza. Pode ser da pele, que está doente, como pode ser do sangue também”, afirma.

Costa diz não ter nada a favor especialmente dos cães. Mas acredita tratar-se de um animal que merece respeito e humanidade. “Não pode ser submetido a nada que ameace sua vida. Os cães não são seres moralmente insignificantes” , pondera.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

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terça-feira, 2 de agosto de 2011

Animais silvestres estão mais próximos de humanos

Os animais silvestres vivem cada vez mais perto dos seres humanos porque a zona urbana se aproxima dos últimos fragmentos de mata virgem. A conclusão é de biólogos e pesquisadores da fauna brasileira do interior de São Paulo.
No eixo entre São Paulo, Jundiaí, Campinas e Piracicaba, os fragmentos de reserva de mata estão estrangulados. Os corredores ecológicos são escassos pela degradação ambiental, queimadas e avanço da faixa urbana, segundo a zootecnista e doutora em política ambiental Márcia Gonçalves Rodrigues, do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamiferos Carnivoros (CENAP/ICMBio) de Atibaia-SP.

"Nos últimos 20 anos, a região de Campinas teve uma expansão de sua ocupação territorial muito grande em comparação a outras regiões de São Paulo, o que acaba tornando mais comum cenas de bichos passeando praticamente dentro da cidade, afirma.
Segundo a pesquisadora, avanço do perímetro urbano em direção a áreas de mata virgem registra seu crescimento maior nos últimos 30 anos, o que comprova a necessidade de conservação das sobras de áreas e seus habitantes.
Na região de Campinas, há duas áreas de conservação com significativa presença de animais silvestres: a Mata de Santa Genebra, que ocupa uma extensão de 250 hectares, e o Matão de Cosmópolis, com 173 hectares.
Armadilha fotográfica 
Em uma área de 150 hectares no entorno da Refinaria do Planato (Replan), da Petrobras, em Paulinia, distante cerca de 20 km Campinas e a pouca distância de sítios e imóveis comerciais, biólogos estudam a constante presença de mamíferos, roedores, repteis e aves. Para descobrir as espécies do local, quantificar os indivíduos e depois sugerir uma forma de manutenção sem degradação, os pesquisadores utilizam a chamada armadilha fotográfica.

O equipamento detecta a presença de animais de difícil observação. Seu funcionamento é simples. O aparelho é formado por uma câmera fotográfica acondicionada a uma caixa protetora presa por um cadeado para impedir que seja desligada ou roubada.O registro da imagem é ativado por um sensor infravermelho de movimento e calor quando algum animal aproxima-se da armadilha. A tecnologia é semelhante a dos alarmes residenciais.
Onça parda
Quinze armadilhas fotográficas foram espalhadas e captaram imagens que mostram a vida animal sem interferência humana em locais próximos de onde vivem populações superiores a 1 milhão de habitantes. Em um registro no final de fevereiro, uma onça parda ou suçuarana corre atrás de uma capivara, uma de suas presas mais cobiçadas.
A zootecnista Marcia explica que, a partir da fotografia, é possível saber somente através das imagens qual a espécie de animal, sexo, idade, horário de caça, entre outros detalhes.

Nas estradas
Em setembro do ano passado, uma onça parda foi atropelada no km 70 da Rodovia Anhanguera, em Vinhedo. A ocorrência chamou a atenção e causou congestionamento. Uma faixa de uma das vias mais movimentas do Estado de São Paulo teve que ser fechada para os primeiros socorros à onça. Apesar dos ferimentos, o macho sobreviveu aos ferimentos. Ele acabou batizado de Anhanguera.
Durante todo o ano passado, a AutoBan, empresa que administra as rodovias Anhanguera e Bandeirantes, encontrou 76 animais em suas vias - pouco mais que o dobro do ano anterior, quando foram 36 animais recolhidos das pistas. Na última semana, após passarem mais de um mês sob os cuidados da Associação Mata Ciliar, em Jundiaí, um bicho-preguiça e um gavião carcará encontrados caídos nas duas rodovias foram devolvidos à natureza.
Fonte: Terra

Animal cativo não é educativo

"... O ser humano revisita sua condição de centro do universo e incorpora outros princípios, tais como a interdependência entre todos os humanos, não humanos e a natureza. Portanto, com essa percepção sistêmica da vida, iremos rever outras tantas práticas presentes em nossa cultura, em nossa própria vida e em nossas escolas. Não mais acredito que “o que mais vale é um pássaro na mão”, mas sim, todos eles livremente voando. Vamos juntos, pois “uma andorinha só” não faz verão."


Veja o texto completo aqui.