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sábado, 22 de outubro de 2011

Reforma no Bosque não trará benefícios aos animais


O zoológico do Bosque dos Jequitibás, em Campinas, está em reforma, mas não há motivos para celebrar. A obra não é fruto da boa vontade do governo municipal, preocupado com o bem-estar dos animais e com a população que frequenta o parque, muito pelo contrário. Essa reforma é fruto de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) do Ibama, de 2008, que obriga o zoológico a seguir certas regras, que não eram cumpridas. O local chegou a ser ameaçado de interdição pelo órgão federal e foi proibido de receber novos animais.

O que se vê hoje no Bosque são recintos pequenos e degradados (grades enferrujadas, paredes com infiltração, mato alto...). Também é possível presenciar uma verdadeira infestação por animais urbanos como ratos e pombas, que invadem as jaulas e se alimentam da mesma comida dos animais que estão em cativeiro, aumentando o risco de doenças e infecções. Além disso, a Prefeitura informou, através de seu website, que as reformas serão realizadas apenas no lago principal (que há anos sofre com vazamentos e grande quantidade de sujeira) e no recuo dos recintos, aumentando a distância entre os animais e os visitantes para 1,5 metro, como previsto pelo Ibama. Ou seja, a tal revitalização será apenas para o público e não para os animais.

O TAC prevê também que todos os animais sejam chipados e melhorias nos recintos sejam realizadas, mas isso não foi divulgado pela Prefeitura em nenhum momento. A Agência Notícia Animal tentou entrar em contato com o diretor do Departamento de Parques e Jardins (DPJ), Edson Roberto Navarrette. Duas entrevistas foram agendadas (o diretor não compareceu em nenhuma) e um email com as questões foi enviado, e nada.

Em várias visitas realizadas no local, também foi possível presenciar outros problemas e ficou claro que os quatro pilares do zoológico moderno (de acordo com a Sociedade de Zoológicos Brasileiros) não são cumpridos. Um zoológico deve trabalhar na busca da Educação (são poucas as placas informativas e todas estão em péssimo estado); Conservação (grades enferrujadas e furadas, excesso de musgo e umidade); Pesquisa (único “pilar” presente, graças ao incansável trabalho da bióloga e do veterinário, que se esforçam ao máximo para o bem-estar dos animais); e Lazer Educativo (um parque lotado de pombas e ratos não pode ser considerado um local de apropriado ao lazer).

Uma cidade rica, com mais de um milhão de habitantes e nem um pouco de interesse por parte do governo em cuidar dos animais e da educação da população, essa é a Campinas de hoje. A falta de interesse é tão grande, que o site oficial da Prefeitura, único meio de comunicação com dados sobre a revitalização, publica uma lista de animais do Bosque equivocada. Bom, essa mesma cidade exterminou capivaras que estavam em outro parque público e o local continua fechado para visitação e infestado de carrapatos, então realmente não dá para esperar muito. Pena que mais uma vez quem sofre são os animais.

Publicado no Notícia Animal.

sábado, 1 de outubro de 2011

Boas notícias! Um apoio muito especial.

É com muita alegria que anunciamos o apoio do pessoal do Clube do Mascote ao WEEAC Campinas!

A querida Michelle, produtora e apresentadora do programa, está se esforçando ao máximo para divulgar a WEEAC em todos os meios de comunicação da Band Campinas!

Além de todo esforço, o pessoal do Clube do Mascote já garantiu presença na WEEAC Campinas! OBA!

Amanhã, domingo, às 8h30 da manhã, durante o Clube do Mascote, ela já fará uma chamada sobre a WEEAC. Não percam! Fiquem ligados no programa! Aproveitem e vejam as matérias e entrevistas que eles prepararam sobre nossos amigos de quatro patas!

Ao longo da semana, vamos ter mais novidades! ;)

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Simpósio na Oficina do Estudante

O colégio Oficina do Estudante realizou nesta quarta-feira, 28/09, um Simpósio Estudantil em apoio ao WEEAC - Evento Mundial pelo Fim da Crueldade contra os Animais, que mobilizará 26 países no dia 08/10. No Brasil, 25 cidades sediarão o movimento, sendo Campinas uma delas.

O Simpósio, realizado hoje, contou com a presença de aproximadamente 300 estudantes, que assistiram atentamente a palestra da delegada do Setor de Proteção aos Animais e Meio Ambiente, Dra. Rosana Mortari, e o presidente do Conselho Municipal de Defesa e Proteção dos Animais (CMPDA), Flávio Lamas. Ambos explanaram o conceito de maus tratos contra os animais, apelando pela conscientização da população desde o ensino primário nas escolas. O professor de biologia Shesterson Aguiar aproveitou a ocasião para explicar também a necessidade da preservação dos biomas para conservação das espécies.

Lamas fez um convite para que os alunos comparecessem no evento WEEAC Campinas no dia 08/10. "A concentração acontecerá à partir das 16 horas, na Concha Acústica da Lagoa do Taquaral. Às 19 horas vamos acender 500 velas e quatro tochas com objetivo de iluminar a consciência das pessoas pelo fim da crueldade contra os animais", disse.

A agência Notícia Animal estará presente para fazer a cobertura deste evento.



Fonte: Notícia Animal

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Conheça histórias de luto, amizade e gratidão vividas por animais de várias espécies


Por Marc Bekoff

Tradução por Vanessa Perez  (ANDA)


Um estudo científico mostra que muitos animais são muito inteligentes e têm habilidades sensoriais e motoras como nós. Os cães são capazes de detectar doenças como o câncer, diabetes e alertar os humanos sobre ataques cardíacos e derrames. Os elefantes, baleias, hipopótamos, girafas e jacarés usam sons de baixa frequência para se comunicarem a longas distâncias, muitas vezes milhas; e morcegos, golfinhos, baleias, sapos e diversos roedores usam sons de alta frequência para encontrar comida, se comunicar com os outros e nadar.
Muitos animais também demonstram amplas emoções incluindo a felicidade, alegria, empatia, compaixão, dor, ressentimento e constrangimento. Não é de se surpreender que os animais, especialmente, mas não só, os mamíferos compartilham muitas emoções com a gente porque nós também compartilhamos estruturas cerebrais, localizadas no sistema límbico, que é a sede das nossas emoções. Em muitos aspectos, as emoções humanas são dons dos nossos antepassados animais.


Luto das raposas vermelhas: Dizendo adeus a um amigo

Muitos animais mostram profundo pesar pela perda ou ausência de um parente ou companheiro. Leões marinhos fêmeas lamentam ao ver seus bebês sendo comidos por baleias. Existem relatos de golfinhos vistos lutando para salvar um filhotinho morto, empurrando seu corpo para a superfície da água. Os chimpanzés e elefantes ficam de luto pela perda de familiares e amigos, e Gorilas tentam acordar os mortos. Donna Fernandes, presidente do Jardim Zoológico de Buffalo, presenciou um fato interessante com uma gorila fêmea, Lilica, que morreu de câncer no Franklin Park Zoo de Boston. Ela diz que o companheiro de longa data da gorila uivava e batia no peito, pegou um pedaço de aipo, alimento favorito de Lilica e colocou em sua mão, depois tentou acordá-la.
Certa vez, aconteceu um fato que parecia ser um serviço funerário. Um pombo havia sido atropelado por um carro. Quatro de seus companheiros de bando estavam ao seu redor, em silêncio e bicavam delicadamente em seu corpo. Uma, depois outra, voaram e trouxeram ramos de pinheiro e colocaram pelo seu corpo. Todos eles ficaram de vigília durante um tempo, balançaram a cabeça e voaram.
Eu também assisti uma raposa vermelha enterrar seu companheiro depois de um puma ter matado ele. Ela gentilmente colocou terra e galhos sobre seu corpo, parou, olhou para se certificar de que ele estava toda coberta, bateu a terra e os ramos com as patas dianteiras, ficou em silêncio por um momento, depois afastou-se, cauda e orelhas para baixo contra a sua cabeça . Após a publicação de minhas histórias eu recebi e-mails de pessoas de todo o mundo, que tinham presenciado um comportamento semelhante em vários pássaros e mamíferos.


A empatia entre os elefantes

Alguns anos atrás, quando eu estava observando elefantes na Reserva Nacional de Samburu, no norte do Quênia, com o pesquisador de elefantes Lain Douglas-Hamilton, notei uma fêmea adolescente, Babyl, que andava muito lentamente e teve dificuldades a cada passo. Eu soube que ela tinha sido paralítica por anos, mas os outros membros de sua manada nunca a deixaram para trás. Eles andavam um pouco, paravam e olhavam ao redor para ver onde ela estava. Se Babyl ficasse para trás, alguns poderiam esperar por ela. Se ela tivesse sido deixada sozinha, ela teria sido atacada por algum leão ou outro predador. Às vezes, a matriarca a alimentava. Os amigos de Babyl não tinham nada a ganhar com esta ajuda bem como ela não podia fazer nada por eles. No entanto, eles ajustaram seu comportamento para permitir que Babyl permanecesse com o grupo.


Os animais têm experiências espirituais?

Os animais se sentem maravilhados com os seus arredores, têm um sentimento de admiração ao ver um arco-íris, ou pensam de onde o relâmpago vem? Às vezes, um chimpanzé, geralmente um macho adulto, vai dançar em uma cachoeira em total desprendimento. Jane Goodall descreveu um chimpanzé se aproximando de uma cachoeira com um pouco do pelo eriçado, um sinal de grande excitação. “À medida que se aproximava, e o barulho da água caindo ficava mais alto, ele acelerava seu ritmo, seu pelo se tornava completamente ereto, e ao atingir a correnteza ele realizou uma magnífica exibição ao pé da cachoeira. De pé, ele oscila ritmicamente de pé para pé, batendo no raso, água correndo, apanhando e arremessaram pedras grandes. Às vezes, ele sobe nas videiras finas que pendem no alto das árvores e balança para fora da garoa da cachoeira. Esta “dança da cachoeira ” pode durar 10 ou 15 minutos. “Depois de uma exibição na cachoeira, o intérprete pôde se sentar em uma pedra com os olhos acompanhando a queda de água. Chimpanzés também dançam no início das fortes chuvas e durante violentas rajadas de vento.
Em junho de 2006, eu e Jane visitamos um santuário de chimpanzés perto de Girona, na Espanha. Nós fomos informados que Marco, um dos chimpanzés resgatados, costuma dançar durante tempestades parecendo estar em transe.


Shirley e Jenny: Lembrando dos amigos

Os elefantes têm sentimentos fortes. Eles também têm grande memória. Eles vivem em sociedades matriarcais que possuem fortes laços sociais entre os indivíduos que pode perdurar por décadas. Shirley e Jenny, dois elefantes fêmeas, foram reunidos depois de viverem separadas por 22 anos. Elas foram levados separadamente para um santuário de elefantes em Hohenwald, Tennessee, para viver suas vidas em paz, na ausência de abuso que sofreram na indústria do entretenimento. Quando Shirley viu novamente Jenny,esta ficou visivelmente ansiosa. Ela queria entrar na mesma barraca em que Shirley estava. Eles gritaram uma para a outra, o tradicional cumprimento entre amigos quando eles se reencontram. Ao invés de serem cautelosas e incertas sobre a outra, elas se tocaram por entre as grades que as separavam e se mantiveram unidas. Seus tratadores ficaram intrigados pela forma como as elefantes e deram tão bem. A busca nos registros, mostraram que Shirley e Jenny tinham vivido juntos em um circo a 22 anos atrás, quando Jenny era um bebê e Shirley tinha seus 20 anos. Elas ainda se lembram uma da outro como quando elas ainda estavam juntas.


A gratidão de uma baleia

Em dezembro de 2005, uma baleia de 50 toneladas, uma fêmea de jubarte se enroscou nas linhas de uma rede e estava quase se afogando. Depois de uma equipe de mergulhadores livrarem ela das redes, ela se aninhou a cada um dos seus salvadores, por sua vez e nadou em torno deles, o que um especialista em baleias disse ser  “um encontro raro e extraordinário.” James Moskito, um dos mergulhadores recordou que “Parecia que ela queria nos agradecer, sabendo que estava livre e que tínhamos ajudado ela. A baleia, parada cerca de um metro longe de mim, me intimidou um pouco mas  nos divertimos, disse Mike Menigoz. Os outros mergulhadores também foram profundamente tocado pelo encontro: “A baleia estava fazendo pequenos mergulhos e os caras estavam lado a lado com ela…. Eu não sei ao certo o que ela estava pensando, mas é algo de que eu sempre me lembrarei. ”


Abelhas ocupadas como Matemáticos

Nós sabemos que abelhas são capazes de resolverem problemas complexos de matemática com mais rapidez que um computador – especificamente o que chamamos de “o problema do caixeiro viajante” – apesar de terem um cérebro do tamanho de uma semente de capim. Elas economizam tempo e energia encontrando a rota mais eficiente em meio à flores. Elas fazem isso diariamente enquanto um computador poderia levar dias para resolver o mesmo problema.






Cães farejando doenças

Como já sabemos, os cães possuem um olfato muito apurado. Eles cheiram aqui e ali tentando descobrir quem esteve por lá e também são conhecidos por meterem o nariz onde não deveriam. Comparado aos humanos, os cães possuem a área do epitélio nasal (que carrega as células receptoras), 25 vezes maior e  mais centenas de células olfativas na região cerebral. Cachorros podem diferenciar qualquer diluição à medida de um para um milhão, seguir trilhas pelo odor, e são dez mil vezes mais sensíveis a alguns odores que os humanos.
Cães aparentam serem capazes de detectarem diferentes tipo de câncer – de ovário, pulmão, bexiga, próstata e mama -  e diabetes, talvez pela respiração da pessoa. Considerando uma collie chamada Tinker e seu companheiro humano, Paul Jackson, que possui dois tipos de diabetes. A família de Paul percebeu que sempre que ele estivera prestes a ter um ataque, Tinker ficava agitado. Paul disse: “Ele lambia a minha cara, ou chorava suavemente, ou até mesmolatia. Então percebemos que este comportamento acontecia quando eu estava tendo um ataque de hipoglicemia por isso juntamos as peças. “Pesquisas ainda são necessárias, mas os estudos iniciais da Pine Street Foundation e outros sobre o uso de cães para diagnóstico são promissoras.


Tudo bem ser um cérebro de pássaro

Os corvos, da remota ilha no Pacífico, da Nova Caledônia mostram suas habilidades incrivelmente de alto nível, quando fazem e usam ferramentas. Eles conseguem a maior parte de sua comida usando ferramentas, e eles fazem isso melhor do que os chimpanzés.Sem nenhum treinamento prévio, eles podem fazer anzóis de peças e arame retos para obter alimento que estiver fora de seu alcance. Eles podem adicionar recursos para melhorar uma ferramenta, uma habilidade supostamente exclusiva dos humanos. Por exemplo, eles fazem três tipos diferentes de ferramentas com as folhas, arame farpado e espinho do pinheiro. Eles também modificam a ferramenta dependendo da necessidade, um tipo de invenção não vista em outros animais. Essas aves podem aprender a puxar uma corda para recuperar uma vara curta, usa a vara para pegar uma mais longa, então usa o bastão para pegar um pedaço de carne. Um corvo, chamado Sam, ficou menos de dois minutos inspecionando a tarefa e resolvê-lo sem erros.
Corvos da Caledônia vivem em pequenos grupos familiares e os mais jovens aprendem o uso das ferramentas por observarem os adultos. Pesquisadores da Universidade de Auckland descobriram que os adultos levam os jovens a lugares específicos chamados “escola de ferramentas” onde eles podem praticar o uso delas.


Amor de cachorro

Como nós já sabemos, os cães são os melhores amigos dos homens. Eles também podem ser amigos entre eles. Tika e seu companheiro de longa data, Kobuk, criaram oito filhotes juntos e estavam curtindo sua aposentadoria na casa de minha amiga Anne. Mesmo sendo companheiros de longa data, Kobuk geralmente espantava Tika, pegando sua cama favorita ou seu brinquedo.
Mais tarde, Tika desenvolveu um tumor malign0 e teve que ter sua perna amputada. Ela tinha problemas em se movimentar enquanto estava se recuperando da cirurgia, Kobuk não saia do seu lado. Kobuk parou de empurrar ela ou se importar se ela tinha permissão de usar a cama sem ele. Por volta de duas semanas após a cirurgia de Tika, Kobuk acordou Anne no meio da noite. Ele correu em direção a Tika. Anne pegou Tika e levou os dois cães para fora mas eles só deitaram na grama. Tika estava gemendo baixinho e Anne percebeu que sua barriga estava muito inchada. Anne a levou para a emergência da clínica veterinária em Boulder, onde ela foi submetida à cirurgia que salvaria sua vida.

Se Kobuk  não tivesse buscado Anne, Tika certamente teria morrido. Tika estava recuperada, e como sua saúde melhorou após a amputação e operação, Kobuk tornou-se o cão mandão que sempre tinha sido, até mesmo com Tika que andava em três pernas. Mas Anne tinha testemunhado a sua verdadeira relação. Kobuk e Tika, como um casal de velhinhos casados de verdade, estariam sempre lá um para o outro, mesmo que a personalidade nunca mudassem.





Jethro e o coelhinho

Depois que eu peguei Jethro na Humane Society de Boulder e o trouxe para minha casa na montanha, eu soube que ele era um cão muito especial. Ele nunca perseguiu os coelhos, esquilos, veados, ou qualquer um que nos visitasse. Muitas vezes ele tentou abordá-los como se fossem amigos.
Um dia Jethro veio à minha porta, me olhou nos olhos, arrotou, e deixou cair um peludo, pequeno, a bola coberta de saliva de sua boca. Eu me perguntava o que no mundo que ele tinha trazido de volta e descobri que a bola molhada do pelo era um coelho muito jovem.
Jethro continuou a fazer contato visual direto comigo, como se ele estivesse dizendo, “Faça alguma coisa”. Peguei o coelho, coloquei em uma caixa, dei-lhe água e aipo, e percebi que ela não iria sobreviver à noite, apesar dos nossos esforços para mantê-la viva.
Eu estava errado. Jethro permaneceu ao lado dela e se recusou a fazer os passeios ou comer, até que eu o afastei para que pudesse atender ao chamado da natureza. Quando eu finalmente libertei o coelho, Jethro seguiu seu caminho e continuou a fazê-lo durante meses.
Ao longo dos anos, Jethro se aproximou de coelhos, como se fossem seus amigos, mas geralmente eles fugiam. Ele também resgatou os pássaros que voaram em nossas janelas e, em certa ocasião, um pássaro que havia sido capturado por uma raposa vermelha e caiu na frente do meu escritório.


Cão e Peixe: Amigos improváveis

Os peixes são muitas vezes difíceis de se identificar ou sentir algo por eles. Eles não têm rostos expressivos e parecem não nos dizer muito comportamentalmente. No entanto, Chino, um golden retriever que viveu com Maria e Dan Heath, em Medford, Oregon, e Falstaff, um pequeno peixe, tinham reuniões regulares na beira da lagoa onde moravam em Falstaff. Todo dia, quando chegava Chino, Falstaff nadava até a superfície, cumprimentava e mordiscava as patas de Chino. Falstaff fez isso várias vezes e Chino observava com um olhar curioso e perplexo no rosto. Esta amizade foi extraordinária e encantadora. Quando o Heaths mudaram, eles foram tão longe a ponto de construir um novo viveiro, para que Falstaff pudesse se juntar a eles.


Um chimpanzé envergonhado : Eu não fiz isso!

Vergonha é uma coisa difícil de se observar. Por definição é um sentimento que faz alguém tentar se esconder. Mas a mais famosa primatóloga Jane Goodall acredita ter observado algo que possa ser chamado de “embaraço” em um chimpanzé.
Fifi era uma chimpanzé fêmea que Jane conhecia a mais de 40 anos. Quando o filho mais velho de Fifi, Freud, tinha cinco anos, seu tio Figan, irmão de Fifi, era o macho Alfa da comunidade. Freud sempre seguia Figan como se ele idolatrasse o grande macho.
Uma vez, quando Fifi estava limpando Figan, Freud subiu no tronco fino de uma árvore. Quando chegou à copa frondosa, ele começou a balançar violentamente para trás e para frente. Se ele fosse uma criança humana, teríamos dito que ele estava se mostrando. De repente, o galho quebrou e Freud caiu na grama. Ele não ficou ferido. Ele veio perto de Jane, e como se sua cabeça mergulhasse na grama, Jane viu que ele olhava para Figan. Ele percebeu? Se ele percebeu, não prestou atenção nenhuma, mas continuou sendo limpo por Fifi. Freud muito calmamente subiu em outra árvore e começou a se alimentar.
O Psicólogo da Universidade de Harvard, Marc Hauser, observou o que poderia ser chamado de constrangimento em um macaco rhesus macho. Depois de acasalar com uma fêmea, o macho escorregou e  caiu em uma vala. Levantou-se rapidamente e olhou em volta. Depois sentindo que os outros macacos não viram ele cair, ele saiu, costas, cabeça e cauda alta para cima, como se nada tivesse acontecido.


Resgate de animais : sentindo compaixão por quem precisa

Histórias sobre animais resgatando membros de sua própria espécie e outras, incluindo seres humanos, não faltam. Eles mostram como os indivíduos de espécies diferentes exibem compaixão e empatia para com os necessitados.

Em Torquay, na Austrália, depois que um canguru foi atropelado por um carro, um cão descobriu um  bebê em sua bolsa e levou-o ao seu dono, que cuidou do jovem animal. O cão de 10 anos de idade e o pequeno filhote de 4 meses de idade, se tornaram melhores amigos.

Em uma praia na Nova Zelândia, um golfinho foi resgatar duas baleias-pigmeus encalhadas em um banco de areia. Depois que as pessoas tentaram em vão levar  as baleias para águas mais profundas, o golfinho apareceu e as duas baleias o seguiram de volta para o oceano.
Os cães também são conhecidos por ajudar aqueles que estão em necessidades. Um pit bull perdido acabou com uma tentativa de assalto a uma mulher que saáa do playground de um parque com seu filho, em Port Charlotte, Florida. Um oficial de controle animal disse que estava claro que o cão estava tentando defender a mulher, que ele não conhecia. Em Buenos Aires, na Argentina, um cachorro salvou um bebê abandonado colocando ele de forma segura entre os seus próprios filhotes recém-nascidos. Surpreendentemente, o cachorro carregou o bebê por  cerca de 150 metros de onde seus filhotes estavam, após encontrar o bebê coberto por um pano em um campo.


Justiça de Raven?

Em seu livro, Mind of the Raven, a bióloga e especialista Bernd Heinrich, observara que os corvos se lembravam de um indivíduo que de forma consistente. Às vezes, um corvo ataca um intruso mesmo que ele não veja que seu local esteja sendo invadido.
Isso é moral? Heinrich parece pensar que é. Ele diz que esse comportamento, “Era um corvo  buscando o equivalente humano de justiça, porque ele defendia o interesse do grupo a um custo potencial para si mesmo.”
Em experiências posteriores, Heinrich confirmou que os interesses do grupo que poderia conduzir o que um corvo decide fazer.


Marc Bekoff escreveu este artigo em Can animals save us? na primavera de 2011 para a YES! Magazine. Marc tem escrito vários livros e ensaios sobre a vida emocional e moral dos animais, incluindo The Smile of a Dolphin, The Emocional Lives of Animals, Wild Justice: The Moral Lives of Animals (com Jessica Pierce), e Animal Manifesto: Six Reasons for Expanding Our Compassion Footprint. A página da web de Marc é: marcbekoff.com e, de Jane Goodall : ethologicalethics.org.


terça-feira, 20 de setembro de 2011

Obrigada à Oficina do Estudante!


Simpósio Estudantil na Oficina do Estudante vai abordar o WEEAC Campinas

No dia 28 de setembro, alunos e professores do Colégio Oficina do Estudante, representantes de ONG´s da cidade e autoridades terão a oportunidade de debater os temas que cercam o WEEAC, os direitos, as leis e a importância do fim da crueldade com os animais. 

Estarão presentes no Simpósio a Dra. Rosana Mortari, Delegada de Polícia do SEPAM (Setor de Proteção aos Animais e ao Meio Ambiente) de Campinas, Flávio Lamas, representante da AAAC (Associação Amigos dos Animais de Campinas) e o professor Shesterson, que ministra a disciplina de biologia na Oficina do Estudante, além da Coordenadora do WEEAC em Campinas, Rosana Ocampos (Grupo de Apoio ao Animal de Rua).

A Oficina do Estudante lança também uma Campanha de Arrecadação de Ração em prol das ONG´s da cidade. As contribuições serão recebidas no prédio da instituição.

O simpósio terá início às 16h15 no auditório da Oficina do Estudante e será aberto ao público externo. Os interessados devem fazer as inscrições através do telefone 3241-6688. 

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

A vida desrespeitada


                                         Ulisses Capozzoli

            Aos poucos a barbárie conhecida como “festa do peão boiadeiro”, marcada por rodeios, touradas, vaquejadas e práticas afins de violência contra os animais começa a ser combatida pelo Ministério Público (MP) e representantes do Legislativo.
            Nesta semana a Câmara Municipal de Araraquara, a 272 km de São Paulo, aprovou por unanimidade projeto de lei que proíbe essas atividades.
            A iniciativa da proibição foi da prefeitura municipal, mas para tomar essa decisão a administração foi pressionada por sociedades protetoras dos animais e opinião pública, indignadas com essa forma de violência.
            A proibição a essas atividades que desrespeitam direitos elementares da vida, adotada em Araraquara, pode ser acompanhada por outras cidades do interior paulista.
Segundo entidades de proteção aos animais, a decisão atraiu interesse de vereadores de cidades como Jaboticabal, São Carlos e Atibaia, a última delas às margens da rodovia Fernão Dias, que liga São Paulo a Minas Gerais.
            É possível que a “festa do peão”, iniciativa que se espalhou de Barretos, interior de São Paulo, para praticamente todas as regiões do País acabem proibidas em escala nacional. Elas não têm relação com a historia nacional e resultam de práticas copiadas de regiões como o Texas, nos Estados Unidos.
            Em meados de agosto passado o deputado federal Ricardo Trípoli (PSDB-SP), apresentou projeto de lei que proíbe a perseguição de animais em provas de rodeios e prevê multa de até R$ 30 mil para os infratores.
O valor poderá ser duplicado em caso de reincidência.
            Como justificativa para o projeto de lei Trípoli citou o caso de um bezerro que ficou paralítico durante uma prova na arena da 56º Festa do Peão de Boiadeiro em Barretos, há poucas semanas.
            




sábado, 10 de setembro de 2011

Saúde pública como bandeira pra crueldade: as capivaras e a febre maculosa

Estamos exatamente a 4 semanas do grande dia. Este dia vai representar um marco na nossa luta pelo bem-estar dos animais, será lembrado como o dia em que o mundo todo se uniu em uma só voz para pedir o fim de tanta crueldade.


Para nós de Campinas, este dia terá também uma simbologia muito especial. Será o dia em que deixaremos claro que não esquecemos a matança de nossas capivaras. Um animal tão dificilmente citado nas campanhas de proteção, mas que marcou tão profundamente a história de nosso trabalho. Foi por elas que as ONGs de Campinas se uniram para dar um basta na má conduta do poder público e, dessa união, resultará este evento.


Não vamos esquecer de todos os casos de maus-tratos à animais, domésticos e silvestres, que passaram por nós. Estaremos lá por todos. Mas as capivaras, sem dúvida, serão a nossa bandeira.

 


Quem quiser saber mais sobre esse episódio tão triste que vivemos, pode visitar o blog que foi feito pras nossas 13 (ou mais) vítimas da crueldade humana.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Novo vídeo da WEEAC Campinas sobre a crueldade da Saúde Pública nos cuidados às zoonoses




Veja os outros vídeos do WEEAC Campinas

Saúde pública como bandeira para a crueldade

Veterinária expõe a incoerência no assassinato de cães contaminados

por Dra. Marlene Nascimento

Nosso país está passando por graves problemas sociais e o tema proteção animal é encarado com certo preconceito. O que muitos governantes não percebem é que o perfil das pessoas que lutam pelos direitos dos animais mudou. O defensor não é mais aquele que fica chorando pelo que está acontecendo, mas o que se informa, pesquisa e vai a luta. Apresenta sugestões e trabalha não só em defesa do animal, mas também como um colaborador, quando lhe é permitido, dos órgãos de saúde pública.

Em nosso trabalho de defesa animal nos deparamos com situações desgastantes. Mas nenhuma que se iguala a que encontramos quando nos deparamos com a forma como são encaradas as zoonoses (doenças como raiva, leishmaniose, leptospirose e toxoplasmose). Em nome delas, são sacrificados milhares de cães e gatos no mundo inteiro, como se a vida destes animais não tivesse nenhum propósito neste planeta e o ser humano fosse o senhor absoluto do universo.

Nas grandes metrópoles, e mesmo em pequenos povoados, assistimos à depredação do meio ambiente, à falta de saneamento básico, a seres humanos convivendo com o lixo e a miséria, a governantes corruptos desviando verbas e a situações cada vez mais caóticas.

A interferência no meio ambiente
A interferência do ser humano no meio ambiente (desmatamento, acúmulo de lixo, circulação de animais, etc.) causou danos irreparáveis ao planeta e fez aparecer, em zonas urbanas, doenças como leishmaniose, leptospirose e outras consideradas de zona rural. Quando os detentores do poder se deparam com estas doenças, começam a combatê-las matando cães e gatos. Esquecem-se que estes são vítimas das ações depredatórias do ser humano e que também sofrem com a doença. É fácil sacrificar animais indefesos, tão fácil quanto é transferir a culpa pela incapacidade de resolver problemas tão primários.

Toneladas de inseticidas são utilizadas para combater este ou aquele vetor. Muitos animais são mortos e suas carcaças jogadas em lixões a céu aberto ou em valas comuns. Prefeituras disputam, com estatísticas aterrorizadoras em mãos, verbas para combater esta ou aquela doença. Muitas zoonoses estão emergentes devido à depredação do meio ambiente ou técnicas laboratoriais mais eficientes ou, o que é pior, devido a pesquisas dirigidas com a finalidade de disputar as verbas federais, equipamentos para laboratórios ou para alimentar o ego de alguns pesquisadores. O cão ou o gato são as primeiras vítimas caso tenham algum envolvimento com a doença.

A leishmaniose que agora se alastra pelo Brasil, a leptospirose, ou outra, não importa qual doença, a dinâmica é a mesma. Prefeituras disputam verbas com suas estatísticas e defensores dos animais tentam em vão salvar a vida de animais, vítimas inocentes. Se as verbas destinadas aos municípios fossem utilizadas para combater a raiz do problema, que com certeza não é o cão, nem o mosquito, nem o rato, mas a interferência do ser humano no meio onde vive, não teríamos tantas doenças que estão levando tanto o homem quanto o animal ao sofrimento.

A (ir)responsabilidade do ser humano
A partir do momento em que o ser humano domesticou o cão e o gato, tornou-se responsável por alimentá-lo, supervisioná-lo e, inclusive, interferir em sua capacidade reprodutiva através da esterilização, evitando assim a superpopulação e a disseminação de doenças.
Quanto ao rato, ao mosquito e a outros vetores, o homem contribui proporcionando o habitat para os mesmos como acúmulo de lixo e esgoto a céu aberto.

As zoonoses, muitas vezes, nos parecem “minas de ouro”, pois a cidade que mais apresentar problemas recebe maior verba. E assim, ano após ano, veremos animais sendo sacrificados em nome da saúde pública, como foi o caso de Araçatuba (SP), e agora é a vez de São Borja (RS) estampar as manchetes. Qual será a próxima cidade?

Ainda estamos consternados com as perdas causadas pela febre amarela, que levou muitos bugios a morte, alguns pela doença, mas a maioria morta cruelmente pelo bicho homem com a intenção de se proteger da doença.
Agora perguntamos: quantas pessoas morreram de febre amarela no Rio Grande do Sul e quantas morreram de problemas provocados pela vacina? 

Cobrem estes dados dos responsáveis. Esta maneira alarmista e insensível de proteger a saúde tem feito vitimas inocentes que, no caso da febre amarela, também atingiu os seres humanos.
Com a Leishmaniose “instalada” no Rio Grande do Sul, veremos milhares de cães serem abandonados e suas mortes serão inevitáveis, mesmo que pesquisas confirmem que matar cachorros não reduz a incidência da doença, mas as normas ditam: leishmaniose em cães significa morte, fazendo do Brasil o único país que mata os cães soropositivos.

Falta operador responsável para a máquina pública
Nós, cidadãos, estamos sustentando a máquina pública com o dinheiro de impostos, que são muitos, pagando para ver situações intermináveis de sofrimento de animais, e nenhuma solução de bom senso. E o que ouvimos é que investir em vacinas (no caso de leishmaniose) não é interessante. Esterilização? “Nem pensar, não resolve o problema”. Não somos SUS. Cães e gatos mesmo que esterilizados continuam albergues de doenças e estão sujeitos ao extermínio.
A situação se assemelha ao que acontece no nordeste: a seca assola a região, que recebe milhões em verbas todo o ano, mas nenhuma é investida na raiz do problema que é a “falta de água” e a seca continua sendo a “mina de ouro” do nordeste.

Precisamos fiscalizar as verbas
Estamos acostumados com lamentos: falta verba para a saúde, não é feita medicina preventiva neste país, etc. Se analisarmos todas as verbas que chegam aos nossos municípios para o combate a dengue, leishmaniose, entre outras, e somarmos a que chega para o meio ambiente, saneamento básico e muitas outras, veremos que na realidade não é tão pouca como dizem. Nós, cidadãos, devemos nos unir e fiscalizar onde essas verbas estão sendo gastas e cobrar para que sejam gastas na “raiz do problema”, caso contrário, estaremos sujeitos a passar o resto de nossas vidas vendo os nossos animais sendo bodes expiatórios de uma política de saúde pública enganosa e viciada como, até hoje, os nordestinos são vítimas da seca e fome.

Somente através da mudança da política de saúde pública é que conseguiremos evitar que milhares de cães e gatos sejam sacrificados em nosso país, pois não importa a gravidade da doença. Pode ser a raiva, uma doença mortal, ou uma simples verminose: qualquer uma é motivo para sacrifício de animais dentro da política atual. Vivemos numa ditadura em que os sanitaristas têm “poder de polícia” e nós temos que assistir o abuso praticado contra os animais em nome da saúde pública. Não importa qual o vetor nem a doença, o culpado pela disseminação do vetor e da doença sempre será o homem com a sua interferência no meio onde vive.

Saúde se faz com educação, saneamento básico, respeito ao meio ambiente, erradicação da miséria e efetivando políticas publicas com respeito a vida. Chega de matar animais em nome da saúde pública.

Dra. Marlene Nascimento
Médica veterinária, especialista em Saúde Pública, fundadora e presidente do Clube Amigos dos Animais.

ANDA-Agência de Notícias de Direitos Animais

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Animais idosos ganham asilo




Um asilo para animais idosos na Grã-Bretanha tenta recriar o conforto da casa dos antigos donos, com sofás, televisões, cortinas e quadros na parede.
A gerente da Fazenda Trindledown, no condado de Berkshire, Allison Mercer, diz que os bichos mais velhos não lidam tão bem com os centros de acolhimento para animais tradicionais.
"A maioria deles está acostumada com a segurança de uma casa, ficar quentinho no sofá toda noite. Aqui, eles se adaptam mais rapidamente que em um canil normal", diz ela.
A fazenda foi o primeiro centro construído especificamente para animais mais velhos e está completando dez anos de existência. O local abriga cerca de 50 animais por ano, entre eles, gatos, cachorros, cavalos e bodes.

Segundo Mercer, o abrigo foi criado quando foi identificado um problema: o de que quando pessoas idosas se mudavam para asilos ou morriam, elas deixavam para trás animais idosos.

Hoje, a fazenda conta com a ajuda de voluntários para cuidar dos bichinhos e levantar verbas para o asilo.

Fonte: BBC

Batalhas pela vida animal

Aldem Bourscheit
02 de Dezembro de 2009

Silvana e Dandara com seus pacientes no pequeno apartamento na capital federal. Foto: Antonio Cruz/ABr
Nascida em uma família de descendentes de italianos, Silvana Culetto (46) cresceu em uma chácara onde o Cerrado vicejava em verde e pássaros, animais que aprendeu a proteger desde os doze anos. Atropelado pelo crescimento humano e urbano, o sítio cedeu espaço aos prédios e casas do bairro Guará.

Hoje servidora pública federal, Silvana se viu quase sozinha no mundo quando o marido a deixou com a filha-bebê Dandara que, desde os três anos, demonstra o dom incomum de “acalmar” praticamente todo tipo de ave com que tem contato. A habilidade é fundamental para tranqüilizar os pássaros que chegam à porta do pequenino apartamento no Setor Policial Sul de Brasília, com pernas e asas quebradas por choques contra edifícios ou chutes de moleques. Eles chegam cegos, doentes, com bicos putrefatos por chicletes e cobertos de veneno, muitas vezes à beira da morte. “Hoje matam bichos pelo simples prazer de matar, mas meus pais ensinaram o inverso. Compaixão pela vida é cada vez mais rara nesse mundo globalizado e competitivo”, diz Silvana. 

Ela conta que muitos pássaros são entregues por donos que não querem mais “preocupação” ou por gente que os encontra feridos pelas ruas do Distrito Federal, onde elas também circulam de olhos atentos. A dupla não tem preconceitos, trata de pombas e pardais a bem-te-vis, quero-queros, corujas, sabiás e muitos beija-flores. 

A luta diária de mãe e filha pela vida dos emplumados é o tipo de ação vista como quixotesca, mas sua determinação parece irrefreável. “Quando um animal ferido chega, a qualquer hora do dia, tudo pára. Às vezes, viramos noites em claro. Nosso trabalho não é um fardo ou uma obrigação, a vida da ave está em nossas mãos. Se ela está viva, lutamos até o último momento. Quando uma de nossas ‘crianças’ morre, dói”, conta. 

Enfrentando dificuldades financeiras e de moradia, tirando dinheiro do bolso para comprar remédios especiais e recebendo doações de comida e vitaminas da fabricante de rações Alcon, Silvana e Dandara já perderam a conta de quantas aves salvaram. “Contar interessa menos, interessa mais quem continua vivo”, ressalta a mãe.

Olhos bem abertos: filhote de coruja-buraqueira 
em tratamento. Foto: Aldem Bourscheit

Quando em vez, veterinários amigos ajudam com tratamento e remédios. O governo do Distrito Federal nunca ofereceu apoio. Já o Ibama, levantou certa feita a possibilidade da atuação em um criadouro conservacionista, conta Silvana. Mas para isso, teria que abandonar seu projeto com mais de uma década, que percorreu os vários apartamentos onde a família morou. “É difícil encontrar parceiros que possam nos ajudar. Temos o dom de cuidar, mas nem tudo é milagre ou amor. Também precisamos da técnica, da experiência”, comenta.

No microapartamento lotado de móveis, encontraram espaço para gaiolas e aparelhos onde os animais em recuperação se exercitam. Quando a reportagem de O Eco passou por lá, há poucos dias, havia pombas, pardais, um quero-quero e um beija-flor, além de um filhote de coruja-buraqueira e outras aves em tratamento. Um prato de comida na sacada atrai inúmeros visitantes durante o dia. “Muita gente costuma oferecer água com açúcar ou mel em bebedouros, mas é preciso cuidado, porque a mistura quando fica estagnada cria fungos que atacam os bicos e a boca das aves”, avisa Silvana.

Ela também lembra que o crescimento urbano incontrolável no Distrito Federal aumenta o número de vítimas. “Não temos noção da devastação ambiental que isso está provocando. Cada pássaro que sobrevive hoje nesse meio é um herói”, disse a tratadora das aves, que a cada dia recebe mais pacientes. 

Silvana também atua em palestras em escolas públicas e privadas e até se disfarça de lobo-guará em visitas ao Congresso (veja aqui) nos movimentos pela aprovação da proposta de emenda constitucional que reconhecerá o Cerrado e a Caatinga como patrimônios nacionais. “O idealismo abraça várias causas, tornando-se porta voz de quem não pode gritar por socorro”, ressalta.

“Não tenho intenção de discursar bonito. Sei que não tenho uma boa retórica e que nosso trabalho é de formiguinha, mas estou fazendo a minha parte, todos os dias. Por isso acredito que alguém nos ajudará, com uma proposta para construirmos um grande hospital veterinário voluntário. É meu maior sonho”, diz Silvana, cheia de esperança.

Criadora e criatura

Ladeada pela mãe, Dandara afaga um quero-quero com 
a pata ferida. Foto: Aldem Bourscheit


Jovem estudante, Dandara Aiache Marcelle Culetto
aprendeu pequena os ensinamentos que a mãe recebeu dos avós. É consciência passada de geração em geração. 

Segundo ela, crescer rodeada de aves lhe ensinou a reconhecer e respeitar as diferenças entre gente e animais. Também revela que não é “encantadora” de aves, como costumam lhe apregoar. “Elas apenas reconhecem quem lhes respeita e defende, e se deixam manusear”, disse.

Com cursos de Veterinária e Biologia no pensamento, “para ter conhecimentos mais amplos e atuar com outros animais, já que as pessoas não respeitam muito quem não tem diploma”, Dandara planeja seguir atuando como voluntária no socorro a aves e demais espécies e conta que outras pessoas nem sempre compreendem o trabalho da família. “Tem pessoas que entendem, outras que debocham. Mas só eu sei a experiência que tenho com os animais”, disse.

Fonte: (o)eco

sábado, 27 de agosto de 2011

Vamos aproveitar o domingo pra nos informar

Direitos dos Animais

Primeira parte


Segunda parte

Isso não pode mais acontecer...

Uma mãe ursa escapa da jaula ao ouvir os gritos do seu filho que estava sendo submetido à perfuração do abdomen (em uma usina de bilis na China) e, depois de matá-lo, se suicida jogando-se violentamente contra a parede. 

Fonte: FalaBicho


sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Lindo vídeo dos nossos amigos do "Ame um Bicho"


Vivissecção

“A moral de alguns cientistas é do nível de jardim da infância”, diz especialista em direitos dos animais.
Steven Wise quer estender direitos fundamentais exclusivos aos seres humanos a alguns animais, impedindo que eles sejam usados em pesquisas científicas.

por Marco Túlio Pires

Para o advogado e especialista americano em direito dos animais Steven Wise, alguns animais deveriam ser elevados ao “status de pessoa”. Wise investigou sete espécies — chimpanzés, orangotangos, gorilas, papagaios africanos, elefantes, cães e golfinhos — e concluiu que, assim como os seres humanos, todas deveriam ter direitos legais que protegessem sua integridade e liberdade física. O especialista já escreveu quatro livros discutindo o cativeiro, a inteligência animal e por que alguns bichos não deveriam ser usados em pesquisas científicas.

Wise dá aulas sobre direitos dos animais em quatro faculdades nos Estados Unidos, incluindo Harvard. Também é bacharel em química e diretor do Non-Humans Rights Project (Projeto pelos Direitos dos Não-Humanos), organização que reúne cerca de 40 pesquisadores nos Estados Unidos. Eles estão prestes a entrar na Justiça para tentar convencer o Superior Tribunal de Justiça da Flórida de que chimpanzés ou golfinhos têm condições de receber direitos fundamentais que ainda são exclusivos de nossa espécie.

“Faz apenas 60 anos desde que os seres humanos decidiram que não fariam testes em outros seres humanos sem o consentimento deles. E cerca de um século e meio desde que humanos, neste país, deixaram de escravizar outros humanos. Será que essas coisas que costumávamos fazer uns aos outros, que só agora admitimos que eram grotescamente imorais, podem ser repetidas em outros seres?” —Steven Wise

Veja parte da entrevista de Wise:

Muitos cientistas dizem que é praticamente impossível conduzir pesquisas biomédicas sem animais. O que o senhor pensa a respeito?Algumas pessoas que pertencem ao movimento pelo direito dos animais são contra a ciência. Eu não sou contra a ciência. Essa é uma questão que também tem a ver com a filosofia e o direito e por isso é complicado generalizar. Quando vamos lidar com uma preocupação científica, temos que considerar o sistema que queremos proteger. Então, se a intenção é desenvolver drogas que não vão fazer mal aos seres humanos, precisamos entender o sistema humano e qual tipo de sistema biológico trará resultados válidos. Se utilizamos animais não-humanos, no fim das contas, teremos, pelo menos, dois sistemas biológicos que precisaremos entender muito bem. Então, é muito difícil dizer “não é possível conduzir esse tipo de pesquisa com ou sem animais”. As pesquisas não estão necessariamente limitadas aos sistemas biológicos. Existem culturas de células e modelagem computacional e matemática. Não quero fingir ser um especialista em nenhuma dessas áreas, mas as tenho acompanhado nos últimos 30 anos. Elas existem e estão melhorando. Outro fato importante é que, na minha experiência, defensores dos direitos dos animais tendem a conhecer muito pouco sobre ciência. Por outro lado, os cientistas tendem a conhecer quase nada de ética e de direito. Eles entendem muito pouco daquilo que não é ciência. Se precisamos de um sistema biológico para desenvolver pesquisa e proteger os seres humanos, qual é o melhor sistema? A resposta é, obviamente, a mesma espécie que queremos proteger. Então, a melhor espécie para entendermos a saúde humana é o próprio ser humano. Creio que nenhum cientista discordará disso.


Veja a entrevista completa aqui
Veja também o infográfico: A história dos direitos dos animais

Temos este direito?

A fronteira tênue entre ciência e crueldade na rotina dos laboratórios esquenta no mundo todo o debate sobre a vivisecção.
por Rodrigo Vergara

Os alunos que ingressaram este ano no curso de medicina da Universidade de São Paulo (USP) verão menos sangue que seus veteranos durante a estada na faculdade. Pela primeira vez, a universidade vai abolir o sacrifício de cães em aulas sobre “o efeito de drogas na função cardiorrespiratória”. Nessa disciplina, os estudantes testemunham os efeitos de várias substâncias sobre os batimentos cardíacos e a freqüência respiratória. Agora, em vez de verem essas reações no tórax aberto de um animal anestesiado, que depois será morto, os alunos aprenderão com uma simulação em computador. Mudança semelhante ocorreu há um ano nas aulas de técnica cirúrgica na USP. Em vez de treinar sutura em coelhos, que depois eram sacrificados, os alunos passaram a “costurar” cães e gatos mortos naturalmente. As duas mudanças, ao que tudo indica, são definitivas.
Elas fazem parte de um movimento mundial de combate ao uso de animais em laboratórios, não só no ensino, mas também na pesquisa biomédica e para testar artigos de limpeza e cosméticos.
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O principal argumento antivivissecção, que prega sua absoluta inutilidade, está expresso nas palavras do médico inglês Robert Sharpe, autor de Science on Trial (Ciência em julgamento, inédito no Brasil): “Homens e animais têm organismos e reações bioquímicas diferentes. Se um estudo com hamsters achar a cura do câncer, ela servirá só para curar o câncer em hamsters”. O efeito carcinogênico do cigarro é um caso clássico. Embora amplamente atestada por estudos epidemiológicos, a ligação entre câncer e tabaco seguiu sob suspeita por vários anos porque a doença não pôde ser reproduzida em animais. Por muito tempo, a indústria tabagista aproveitou o fato para negar o teor tóxico do seu produto.
“O uso de animais em laboratório é um recurso retórico. Usando diferentes espécies em projetos diferentes, os pesquisadores podem encontrar evidências que sustentam qualquer teoria”, diz Neal Barnard, presidente do Comitê Médico por uma Medicina Responsável, dos Estados Unidos. “No caso do cigarro, tanto as provas de que o tabaco é cancerígeno quanto as que asseguram sua inocência usaram animais como base.”
A crítica à suposta inutilidade dos testes em animais se estende às pesquisas de novas drogas. Apesar do enorme número de cobaias sacrificadas para testar a eficácia e os efeitos colaterais de novas substâncias, 95% dos fármacos aprovados em animais acabam descartados nos testes em voluntários humanos e não chegam ao mercado. Uma revisão realizada pelo governo americano nas drogas lançadas entre 1976 e 1985 revelou que 51,5% delas ofereciam riscos não previstos nos testes.
Vale também o raciocínio inverso: ao testar substâncias em animais, os cientistas poderiam descartar drogas promissoras para humanos só porque elas causaram mal a ratos ou porcos. A aspirina, por exemplo, causa deformidades nas crias de roedores, cães, gatos e macacos, embora para nós seja segura. Já a penicilina é fatal para o porquinho-da-índia.
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Estudos realizados na Europa e nos Estados Unidos indicam que 90% dos fatores que determinariam a longevidade de uma pessoa devem-se ao estilo de vida, ao meio ambiente e à hereditariedade. Só 10% dependeriam da assistência médica (leia mais sobre isso em “A medicina doente”, capa da edição de maio da SUPER). Mas órgãos do governo americano que financiam pesquisas gastam em estudos com animais – ou seja, voltadas para o modelo biomédico – o dobro do que despendem em pesquisas em humanos.
Nessa guerra de argumentos, os antivivisseccionistas marcaram pontos importantes. Com publicidade agressiva, divulgaram imagens dos bichos estripados e atingiram a comunidade científica. Pesquisa realizada nos Estados Unidos por Scott Plous, da Wesleyan University, Connecticut, revelou que psicólogos graduados nos anos 90 têm metade da disposição em apoiar pesquisa com animais do que os titulados nos anos 70. Empresas com nomes associados à crueldade aboliram o teste de animais, temendo boicote dos consumidores. Muitas delas, após porem fim ao uso de cobaias, aproveitaram o fato como arma de marketing e adotaram um selo em seus produtos indicando que aboliram a vivissecção.

A mudança no mundo da ciência e das empresas acabou forjando um novo modelo para testes, hoje prevalente, que reconhece o sofrimento dos animais e se propõe a substituí-los por técnicas alternativas. Mas há ressalvas. Nos casos em que o bicho for considerado imprescindível, o máximo de alinhamento ético por parte dos cientistas é reduzir ao mínimo possível o sofrimento e a quantidade de cobaias. Na esteira do novo modelo experimental, os métodos alternativos multiplicaram-se. Há hoje desde pele artificial a simulações de computador (leia quadro com exemplos nesta página). As ONGs que defendem o direito dos animais à vida sustentam que esses métodos podem substituir rigorosamente todos os testes com bichos.

A vitória dos ativistas, curiosamente, acabou resultando em ganhos de precisão e eficácia para a ciência. A redução do estresse e a padronização das condições do cativeiro reduziram o número de mortes de cobaias. E pesquisas recentes revelaram que barulho, manuseio, higiene e superlotação nos biotérios influenciam diretamente os resultados. “As cobras do Butantã passaram a produzir sete vezes mais veneno e a viver oito anos, em vez de um, depois que a coleta de veneno passou a ser feita com as serpentes anestesiadas”, diz Roberto Sogayar, do Instituto de Biociências da Unesp, em Botucatu, e ex-presidente da Comissão de Ética e Legislação do Colégio Brasileiro de Experimentação Animal.
Muitos pesquisadores discordam frontalmente. “Os testes in vitro são úteis, mas continuam pobres perto da acurácia que há nos testes em organismos vivos”, diz a professora Zuleica Bruno Fortes, do Departamento de Farmacologia do Instituto de Ciências Biomédicas da USP. “Além disso, certas substâncias só podem ser estudadas em um organismo vivo. Quando o animal morre, elas desaparecem. São procedimentos para os quais a vivissecção é imprescindível.” Sheila Moura, da Sociedade Fala Bicho, acredita que essa resistência esconde um dogma. “Muitos cientistas reconhecem que existem substitutos para os animais, mas ainda assim usam as cobaias por medo de que seu estudo seja questionado por não usar o método tradicional. Essa mentalidade precisa mudar.”
O segundo grande argumento antivivissecção é que não interessa se o uso de animais ajuda ou não a ciência: nós simplesmente não temos o direito de sacrificá-los. “A questão é moral. Se há um dilema em usar animais, então temos de buscar alternativas. Mas, se os usamos sob o argumento de que não há alternativas, então nunca vamos encontrá-las”, diz Rita Leal Paixão, professora do Departamento de Fisiologia e Farmacologia da Universidade Federal Fluminense, pesquisadora de ética aplicada e bioética da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz. Alguns exemplos corroboram suas palavras. Na Inglaterra, a proibição de usar animais para praticar microcirurgia levou à adoção de técnicas que usam placenta humana. Para o filósofo australiano Peter Singer, autor de Animal Liberation (Liberação dos animais, inédito no Brasil), um clássico sobre o assunto, há, sim, um problema ético em usar qualquer ser capaz de sentir dor.
A classificação dos seres em humanos e não-humanos, para Singer, configura “especismo”, uma discriminação que equivaleria ao racismo. “Há animais cujas vidas, por quaisquer critérios, são mais valiosos que as vidas de alguns seres humanos. Um chimpanzé ou um porco tem um grau mais alto de autoconsciência e uma maior capacidade de relações significativas do que uma criança com uma doença mental séria”, diz Singer. Ou seja: quem admite cortar um macaco em nome da ciência teria que admitir também cortar uma criança com paralisia cerebral, por exemplo. “Um dia, a experimentação animal será considerada tão absurda como hoje nos é a idéia do holocausto, da escravidão, da inquisição”, diz Sheila Moura, da Sociedade Fala Bicho. É ver para crer.

rvergara@abril.com.br


Para saber mais
Na livraria:
The Scalpel and the Butterfly, Deborah Rudacille, FSG, 2000
Animal Liberation, Peter Singer, Avon Books, 1999
A Verdadeira Face da Experimentação Animal, Sergio Greif e Thales Tréz, Sociedade Fala Bicho, 2000

Fonte: SuperInteressante